Zürcher Nachrichten - Peru vive o pior surto de dengue dos últimos tempos

EUR -
AED 4.081604
AFN 79.563642
ALL 99.812145
AMD 434.84896
ANG 1.989345
AOA 1013.447867
ARS 1193.383186
AUD 1.744564
AWG 2.003004
AZN 1.890005
BAM 1.966501
BBD 2.243423
BDT 135.004588
BGN 1.958869
BHD 0.418844
BIF 3301.942553
BMD 1.111237
BND 1.484658
BOB 7.677951
BRL 6.22326
BSD 1.111106
BTN 94.848677
BWP 15.3769
BYN 3.636101
BYR 21780.242308
BZD 2.231863
CAD 1.559882
CDF 3190.361307
CHF 0.950999
CLF 0.027527
CLP 1056.44229
CNY 8.07658
CNH 8.091666
COP 4604.554359
CRC 559.82541
CUC 1.111237
CUP 29.447777
CVE 110.871305
CZK 25.010637
DJF 197.875381
DKK 7.461944
DOP 70.170787
DZD 147.60784
EGP 56.210775
ERN 16.668553
ETB 146.27175
FJD 2.586792
FKP 0.85645
GBP 0.844662
GEL 3.066512
GGP 0.85645
GHS 17.222949
GIP 0.85645
GMD 80.206966
GNF 9613.066565
GTQ 8.555771
GYD 233.136742
HKD 8.641418
HNL 28.44534
HRK 7.536075
HTG 144.440847
HUF 408.670727
IDR 18576.176581
ILS 4.116005
IMP 0.85645
INR 94.958525
IQD 1453.289909
IRR 46783.26768
ISK 147.134182
JEP 0.85645
JMD 173.141401
JOD 0.787902
JPY 161.59107
KES 143.60963
KGS 96.332741
KHR 4444.695067
KMF 503.003747
KPW 1000.173219
KRW 1624.972291
KWD 0.342621
KYD 0.924089
KZT 558.781461
LAK 24078.816851
LBP 99526.686795
LKR 327.274549
LRD 222.238875
LSL 20.849966
LTL 3.281194
LVL 0.672176
LYD 5.367498
MAD 10.655682
MDL 19.85994
MGA 5126.081933
MKD 63.207503
MMK 2332.990606
MNT 3882.0596
MOP 8.908036
MRU 44.233281
MUR 50.85395
MVR 17.159667
MWK 1926.928267
MXN 22.139739
MYR 4.949173
MZN 70.995904
NAD 20.849966
NGN 1705.914714
NIO 40.889655
NOK 11.429291
NPR 152.004858
NZD 1.903422
OMR 0.427798
PAB 1.111237
PEN 4.082878
PGK 4.540479
PHP 63.438506
PKR 311.277822
PLN 4.262878
PYG 8858.497684
QAR 4.045257
RON 5.089707
RSD 119.812316
RUB 93.613392
RWF 1578.542655
SAR 4.167114
SBD 9.44502
SCR 16.073363
SDG 666.707488
SEK 10.767296
SGD 1.4913
SHP 0.873258
SLE 25.369982
SLL 23302.082381
SOS 633.960021
SRD 40.69424
STD 23000.359268
SVC 9.723545
SYP 14449.081086
SZL 20.849966
THB 37.903158
TJS 12.119875
TMT 3.886702
TND 3.437646
TOP 2.676533
TRY 42.175555
TTD 7.514151
TWD 36.807417
TZS 2940.966644
UAH 45.92151
UGX 4051.406185
USD 1.111237
UYU 46.943979
UZS 14380.794818
VES 77.573106
VND 28524.127159
VUV 137.314864
WST 3.147948
XAF 670.671663
XAG 0.034304
XAU 0.000356
XCD 3.008443
XDR 0.836646
XOF 670.671663
XPF 119.331742
YER 273.259356
ZAR 20.840027
ZMK 10002.46437
ZMW 31.152221
ZWL 357.817813
Anúncio Imagem
Peru vive o pior surto de dengue dos últimos tempos
Peru vive o pior surto de dengue dos últimos tempos / foto: ERNESTO BENAVIDES - AFP

Peru vive o pior surto de dengue dos últimos tempos

Faz dois meses que o campinho de futebol de Catacaos ficou inundado e a água parada e esverdeada continua ali. Em seu entorno, enquanto algumas mulheres cuidam dos doentes em casa, outras choram a morte dos filhos. No norte do Peru, ninguém se lembra de um surto de dengue tão letal.

Anúncio Imagem

Tamanho do texto:

Perto da fronteira com o Equador, a região desértica de Piura enfrenta uma nova crise sanitária neste país que liderou o ranking mundial de mortes proporcionais por covid.

Mas agora o culpado é o Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, que se reproduziu como uma praga, atraído pelas chuvas e por inundações atípicas associadas ao ciclone Yaku, que passou pela região em março.

Metade dos 416 centros de saúde pública da região foi afetada pelo ciclone e a dengue paralisou a economia de milhares de famílias que sobrevivem na informalidade.

Até 13 de junho, "temos 82 mortos" e mais de 44.000 infectados em Piura, relata César Orrego, defensor do povo na região. O número representa pouco mais de um terço de todos os mortos (248) e infectados (146.588) em termos nacionais.

Os números da dengue são atualizados para cima diariamente. Depois do Brasil, o Peru registra a segunda taxa de mortalidade mais alta na América Latina e seus números globais são 365% superiores à média dos últimos cinco anos, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Entre os mortos de Piura há 11 crianças. Desde que a dengue ressurgiu, em 1990, este é o surto "mais forte", afirma a doutora Valerie Paz Soldán, da Universidade Cayetano Heredia.

A epidemia "saiu do controle", acrescenta a especialista em doenças infecciosas, que também alerta para uma situação ainda pior: com as mudanças climáticas e o fenômeno El Niño, as chuvas devem aumentar e o vírus "poderia estar presente o ano inteiro".

- Sequência fatídica -

No litoral de Piura vive a maior parte do 1,8 milhão de habitantes da região. Em Catacaos, um distrito agrícola, a dengue se espalha pelas casas com paredes de palha e telhado de zinco.

María Francisca Sosa, uma artesã de 45 anos, cuida do pai, de 93. Deitado em uma cama, com um mosquiteiro fechado ao lado, José Luciano mal murmura quando a filha acaricia sua testa.

Desde que foi derrubado pelo vírus, é preciso levantá-lo como "se fosse um bebê para alimentá-lo", conta a mulher à AFP.

María Francisca vive com seis familiares, que foram ficando doentes um após o outro. Diante da falta de resposta nos estabelecimentos públicos de saúde, foi obrigada a se endividar para conseguir atendimento particular e comprar remédios.

"Os que estavam bons [...] saíam para buscar algum trabalho enquanto os outros permaneciam deitados na cama", afirma.

Muitos moradores relatam a mesma sequência fatídica. Yaku causou chuvas mais intensas e prolongadas que as habituais, houve inundações que transformaram as ruas em lamaçais e destruíram o sistema de esgoto e de água potável, além das plantações de manga, uva e arroz.

A água ficou empoçada e as pessoas a armazenaram em depósitos abertos, multiplicando os criadouros de Aedes aegypti. As fumigações não foram suficientes para deter a epidemia.

Dois meses depois que parou de chover, o campinho de futebol de Catacaos continua encharcado.

Parto dali, Teolinda Silva, uma vendedora de peixe de 45 anos, cuida de seu filho acamado Gabriel, de 27, que de vez em quando arde em febre. "Não tem trabalho, o negócio vai mal, às vezes se vende, às vezes não. Só Deus sabe como se vive por aqui", lamenta.

- Colapso sanitário -

No fim de semana, um cortejo de moradores vestidos de branco acompanhou o caixão de Fer María Ancajima até um cemitério de Catacos. Ela tinha dez anos, seu quadro de dengue se agravou em uma semana e ela morreu pouco depois de ser levada a Lima. Sua família teve que fazer uma "vaquinha" para trazê-la de volta.

"Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance", mas foi impossível salvá-la, lamenta o tio, Julio Morales, de 52 anos.

O hospital de Sullana, em Piura, entrou em colapso pela quantidade de pacientes com quadros que também se agravaram.

"Temos um déficit de recursos humanos imenso, nosso atendimento primário entrou em colapso e faltam insumos e medicamentos", reconhece Luis Alfredo Venegas, de 44 anos, coordenador de vigilância clínica de dengue no mesmo centro de saúde.

Ele estima que dois em cada dez doentes têm seus quadros agravados quando a febre e as dores desaparecem.

"Os vasos sanguíneos começam a se romper e os líquidos a sair por todos os lados de forma caótica [...], os órgãos se enchem de água e começam a falhar, o paciente fica desidratado sem perceber e isso causa a morte", explica o médico, enumerando os sintomas da dengue hemorrágica.

Cada paciente que é internado leva a família junto consigo. A mãe, o pai ou ambos deixam de trabalhar. Por isso a dengue é considerada "uma doença social", ressalta Venegas.

Além disso, os médicos temem que o número de casos seja ainda maior, já que muitos doentes jamais receberam atendimento médico e morreram sem diagnóstico.

A.P.Huber--NZN

Anúncio Imagem