Zürcher Nachrichten - Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

EUR -
AED 4.049778
AFN 78.834299
ALL 99.033342
AMD 431.456343
ANG 1.973823
AOA 1005.540147
ARS 1184.510488
AUD 1.740106
AWG 1.984619
AZN 1.871047
BAM 1.951157
BBD 2.225918
BDT 133.95119
BGN 1.953417
BHD 0.415629
BIF 3226.660051
BMD 1.102566
BND 1.473074
BOB 7.618042
BRL 6.190801
BSD 1.102437
BTN 94.108603
BWP 15.256919
BYN 3.607729
BYR 21610.297969
BZD 2.214448
CAD 1.554541
CDF 3167.672699
CHF 0.949657
CLF 0.027281
CLP 1046.908381
CNY 8.028391
CNH 8.030442
COP 4581.504452
CRC 555.45727
CUC 1.102566
CUP 29.218005
CVE 110.006211
CZK 25.045922
DJF 195.947771
DKK 7.461959
DOP 69.623267
DZD 146.912551
EGP 55.769964
ERN 16.538493
ETB 145.130438
FJD 2.566609
FKP 0.849767
GBP 0.842206
GEL 3.042781
GGP 0.849767
GHS 17.089472
GIP 0.849767
GMD 78.830087
GNF 9541.515201
GTQ 8.509592
GYD 230.665979
HKD 8.575705
HNL 28.207398
HRK 7.54001
HTG 144.267713
HUF 403.661068
IDR 18465.889357
ILS 4.082247
IMP 0.849767
INR 94.030872
IQD 1444.233926
IRR 46431.844181
ISK 144.314781
JEP 0.849767
JMD 173.672773
JOD 0.781606
JPY 161.04578
KES 142.506807
KGS 95.60528
KHR 4409.646484
KMF 500.014042
KPW 992.369183
KRW 1600.661596
KWD 0.339262
KYD 0.918627
KZT 552.612033
LAK 23885.559894
LBP 98786.765454
LKR 327.39557
LRD 220.466371
LSL 20.781097
LTL 3.255591
LVL 0.666932
LYD 5.33219
MAD 10.487244
MDL 19.686991
MGA 5027.940557
MKD 61.511679
MMK 2314.787019
MNT 3851.769118
MOP 8.833576
MRU 43.813776
MUR 50.023376
MVR 16.990372
MWK 1911.842309
MXN 22.023316
MYR 4.897654
MZN 70.451818
NAD 20.780251
NGN 1695.23982
NIO 40.564638
NOK 11.404074
NPR 150.576289
NZD 1.901293
OMR 0.424466
PAB 1.102556
PEN 4.048086
PGK 4.549174
PHP 62.857624
PKR 309.248804
PLN 4.227851
PYG 8845.546281
QAR 4.019435
RON 4.978193
RSD 117.17297
RUB 92.685108
RWF 1572.964625
SAR 4.136492
SBD 9.180809
SCR 15.773594
SDG 662.092022
SEK 10.787111
SGD 1.473199
SHP 0.866444
SLE 25.171542
SLL 23120.263604
SOS 630.003648
SRD 40.298877
STD 22820.894741
SVC 9.647255
SYP 14336.339478
SZL 20.788701
THB 37.64133
TJS 12.001035
TMT 3.870007
TND 3.373498
TOP 2.582323
TRY 41.871279
TTD 7.474586
TWD 36.451059
TZS 2924.510568
UAH 45.517981
UGX 4017.56488
USD 1.102566
UYU 46.573677
UZS 14239.435486
VES 77.098718
VND 28451.721382
VUV 136.24344
WST 3.123386
XAF 654.272445
XAG 0.034516
XAU 0.000355
XCD 2.97974
XDR 0.825967
XOF 654.373081
XPF 119.331742
YER 270.845622
ZAR 20.688194
ZMK 9924.417531
ZMW 30.622794
ZWL 355.025874
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial / foto: Carl DE SOUZA - AFP

Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

O Brasil emergiu do terror da pandemia de covid-19 graças a uma bem-sucedida campanha de vacinação em massa. Mas dois anos depois se depara com um paradoxo: as taxas de imunização - e não apenas para a covid - despencaram, expondo milhões de pessoas a doenças que já haviam sido erradicadas.

Tamanho do texto:

Médicos, governantes e até o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alertaram para o colapso das taxas de imunização no Brasil, onde a cobertura vacinal geral caiu de 95% em 2015 para 68% no ano passado, segundo dados oficiais.

Para a poliomielite, por exemplo, o número caiu de 85% para 68%, alertando para um possível ressurgimento da doença no país, que a erradicou em 1989. Os números são semelhantes para outras vacinas.

O sarampo, eliminado oficialmente do país em 2016, voltou dois anos depois. Também há temores de que a difteria esteja ressurgindo.

Especialistas dizem que a relutância em se vacinar é um problema crescente em todo o mundo, mas a situação é particularmente preocupante no Brasil, um país que até recentemente era aclamado como líder em vacinação.

Um movimento antivacina, que começou a se espalhar em 2016, ganhou uma nova dimensão ao contar com um aliado de peso: o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que afirma não ter sido vacinado contra a covid-19 e até brincou que a vacina poderia transformar as pessoas em "jacarés".

"É muito triste observar um país que sempre teve excelência nos programas de vacinação e sempre foi um exemplo para o mundo de repente sofre um movimento antivacina", disse à AFP Natalia Pasternak, diretora do Instituto Questão de Ciência (IQC), um grupo de especialistas em políticas públicas.

A especialista lamentou "ver como 50 anos de trabalho podem ser tão facilmente destruídos em três".

- História de sucesso destruída -

A pandemia demonstrou a importância do sistema de saúde pública universal brasileiro, que, embora enfrente dificuldades, recebe muitos elogios.

Em 2020, foram registradas algumas das imagens mais duras da crise sanitária: valas comuns e corpos amontoados em caminhões refrigerados em lugares como Manaus, onde hospitais ficaram sem oxigênio.

No ano seguinte, surgiram imagens de esperança, como profissionais de saúde transformando o sambódromo do Rio de Janeiro em centro de imunização, ou embarcando na floresta amazônica para entregar vacinas aos povos indígenas.

Especialistas acreditam que a campanha ajudou a evitar uma tragédia muito maior no Brasil, onde mais de 700 mil pessoas já morreram de covid-19, número atrás apenas dos Estados Unidos.

Apesar de um certo atraso no início da campanha, amplamente atribuído a Bolsonaro, no início de 2022 o Brasil havia vacinado 93% dos adultos contra a covid-19.

Depois, as taxas caíram, não apenas para essas vacinas, mas para todo o resto.

- "Infodemia" -

Segundo especialistas, vários fatores causam esse declínio: dificuldade em ficar em dia com as vacinas atrasadas durante a pandemia, falta de acesso a atendimento médico e menor conscientização sobre os perigos de doenças que afetavam a população no passado.

Mas há um novo elemento que agrava o cenário: uma mistura tóxica de política, polarização e desinformação que estourou durante a pandemia e se espalhou pelo mundo.

No Brasil, apesar de Bolsonaro ter perdido a eleição de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento antivacina não deixou de prosperar.

"As famílias estão sendo atacadas por desinformação e mentiras. Não é uma pessoa que postou uma besteira, uma fake news, é tudo muito estruturado", disse Isabella Ballalai, da Associação Brasileira de Imunizações.

"As consequências dessa 'infodemia' serão piores do que a própria pandemia de covid-19", alertou.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o governo está avaliando como punir os médicos que disseminam desinformação contra as vacinas.

"Fake news criminosas geram um ambiente de dúvida e contribuem para essa falta de adesão à vacinação", disse à AFP.

- Influências locais -

Em pesquisa recente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o IQC constataram que, segundo os médicos, o medo dos efeitos colaterais e a desconfiança das vacinas são os principais motivos pelos quais os pais não vacinam os filhos.

Pasternak, cuja organização trabalha para produzir informações confiáveis para combater a enxurrada de desinformação, propõe convencer a população ao trabalhar com "líderes locais".

"As pessoas ouvem aqueles em quem confiam: pastores, líderes da comunidade", disse.

Mas inverter a tendência não será fácil, admitiu. "Temos muito trabalho a fazer".

M.Hug--NZN